Câncer de mama: como são definidas as diferentes etapas do tratamento?

Mulher realizando autoexame para detecção precoce de tratamento para câncer de mama

A escolha das terapias no tratamento de câncer de mama depende de fatores como o estágio da doença, o tamanho do tumor, a presença de células cancerígenas nos linfonodos e as características biológicas da neoplasia. A idade, as condições clínicas e as preferências da paciente também são consideradas pela equipe médica.

Segundo a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. O número coloca a doença entre os principais desafios de saúde pública no país e reforça a importância do diagnóstico e do acesso ao tratamento adequado.

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Diagnóstico e estadiamento orientam as decisões

A definição do tratamento para câncer de mama começa pela confirmação do diagnóstico. Quando exames clínicos e de imagem, como mamografia e ultrassonografia, identificam alterações suspeitas, pode ser indicada uma biópsia. O procedimento permite analisar uma amostra do tecido mamário e confirmar se há células cancerígenas.

Após a confirmação, a equipe médica avalia a extensão da doença, processo conhecido como estadiamento. A classificação considera o tamanho do tumor, o comprometimento dos linfonodos e a existência ou não de metástases, quando as células cancerígenas atingem outras partes do organismo.

Em geral, o câncer de mama é classificado em estádios de 0 a IV. Os estádios iniciais indicam doença restrita à mama ou com extensão limitada, enquanto o estádio IV corresponde à presença de metástases em órgãos distantes. Essa classificação ajuda a estabelecer os objetivos e a sequência do tratamento, mas não é o único critério para escolher as terapias.

Outro fator importante é o perfil molecular do tumor. Exames anatomopatológicos e testes de imuno-histoquímica podem identificar receptores hormonais e a presença da proteína HER2, informações que ajudam a determinar se a paciente pode se beneficiar de tratamentos específicos.

Quais são as etapas do tratamento para câncer de mama?

Algumas pacientes passam primeiro pela cirurgia, enquanto outras recebem medicamentos antes do procedimento. Também há situações em que diferentes terapias são combinadas para ampliar as chances de controle da doença.

1. Tratamento antes da cirurgia

Em determinados casos, a equipe médica indica a terapia neoadjuvante, realizada antes da cirurgia. O objetivo pode ser reduzir o tamanho do tumor, facilitar sua retirada e, quando possível, permitir uma operação que preserve parte da mama.

Essa etapa pode incluir quimioterapia, terapia direcionada contra alvos específicos do tumor ou outras modalidades medicamentosas, conforme o subtipo da doença.

A terapia neoadjuvante também permite observar como o tumor responde aos medicamentos. Essa informação pode contribuir para a definição das próximas condutas.

2. Cirurgia para retirar o tumor

A cirurgia é uma das principais modalidades de tratamento do câncer de mama localizado. A escolha do procedimento considera o tamanho e a localização do tumor, a proporção entre a lesão e o volume da mama, a extensão da doença e outros fatores clínicos.

Entre as possibilidades estão:

  • Cirurgia conservadora: remove o tumor e uma margem de tecido ao redor, preservando o restante da mama quando há condições para isso.
  • Mastectomia: consiste na retirada de toda a mama e pode ser indicada em situações específicas.
  • Avaliação dos linfonodos: verifica se a doença atingiu os gânglios linfáticos, contribuindo para o estadiamento e o planejamento terapêutico.
  • Reconstrução mamária: pode ser realizada no mesmo procedimento ou posteriormente, conforme a indicação e a escolha da paciente.

3. Tratamento complementar após a cirurgia

Depois da operação, a equipe analisa os resultados da cirurgia e os exames do tumor para avaliar a necessidade de terapias complementares, chamadas de adjuvantes. O objetivo é reduzir o risco de a doença voltar, eliminando possíveis células cancerígenas remanescentes ou diminuindo a probabilidade de recorrência.

Alguns dos tratamentos realizados depois da cirurgia são:

  • Radioterapia: utiliza radiação para destruir células cancerígenas em uma região específica. É frequentemente indicada após a cirurgia conservadora e também pode ser recomendada depois da mastectomia, conforme o risco de recorrência e a extensão da doença.
  • Quimioterapia: utiliza medicamentos que atuam contra as células cancerígenas. Pode ser indicada antes ou depois da cirurgia, de acordo com o subtipo e o estágio do tumor, entre outros fatores.
  • Hormonioterapia: é utilizada em tumores que apresentam receptores hormonais positivos. Os medicamentos atuam bloqueando a ação dos hormônios sobre as células tumorais ou reduzindo sua produção pelo organismo.
  • Terapia-alvo: age sobre características específicas das células cancerígenas. No câncer de mama HER2-positivo, por exemplo, determinados medicamentos podem bloquear mecanismos relacionados ao crescimento do tumor.

Essas abordagens não são obrigatórias para todas as pacientes. A indicação de cada uma depende dos benefícios esperados e dos possíveis efeitos colaterais.

4. Tratamento do câncer de mama avançado ou metastático

Quando o câncer atinge órgãos distantes, o planejamento terapêutico muda conforme a extensão da doença, o subtipo molecular, os tratamentos anteriores e a resposta aos medicamentos.

Nesses casos, o tratamento sistêmico costuma ter papel central. Ele pode incluir hormonioterapia, quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia. A radioterapia e a cirurgia também podem ser utilizadas em circunstâncias selecionadas, como para controlar sintomas ou tratar determinadas complicações.

Em geral, o objetivo é controlar a progressão da doença, aliviar sintomas e preservar a qualidade de vida. A escolha dos medicamentos e a sequência das intervenções são reavaliadas conforme a resposta ao tratamento e a tolerância da paciente.

Acompanhamento e cuidados durante o tratamento

O acompanhamento médico é parte essencial de todas as etapas. Consultas e exames permitem avaliar a resposta às terapias, identificar efeitos adversos e ajustar o planejamento quando necessário.

O cuidado pode envolver profissionais de diferentes áreas, incluindo oncologia clínica, mastologia, radioterapia, enfermagem, nutrição, fisioterapia e apoio psicológico. 

A participação de uma equipe multiprofissional contribui para atender às necessidades físicas e emocionais que podem surgir ao longo do processo.

Por que o tratamento precisa ser individualizado?

Embora o estadiamento seja fundamental, dois tumores classificados no mesmo estádio podem exigir estratégias diferentes. Isso acontece porque as características biológicas, a resposta aos medicamentos e as condições de saúde das pacientes podem variar.

Portanto, o diagnóstico cedo e o acesso às diferentes modalidades terapêuticas são aspectos importantes para o cuidado das pacientes.

A definição das etapas do tratamento depende, portanto, da integração entre exames, avaliação clínica e discussão das opções disponíveis. O acompanhamento especializado permite adaptar as condutas ao longo do processo, considerando tanto o controle da doença quanto a qualidade de vida.

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